O triângulo amoroso que colocou à prova a lealdade entre as personagens Agrado, interpretada por Isadora Cruz, e Eduarda, vivida por Gabz, tornou-se um dos pontos mais debatidos em Coração Acelerado. No centro dessa disputa, o produtor musical Leandro, papel de David Junior, viu-se no olho do furacão, sendo apontado como o catalisador de um conflito que reacendeu discussões sobre rivalidade feminina na teledramaturgia atual.
O desafio de humanizar um personagem em meio à crise
Ciente da complexidade de sua posição no enredo, David Junior buscou construir Leandro evitando os estigmas do “machão” tradicional. O ator admitiu que o desafio foi grande, especialmente ao navegar por uma temática que, em pleno 2026, ainda coloca homens como pivôs de desentendimentos entre amigas. Para o intérprete, o objetivo principal foi conferir humanidade ao produtor musical, sem julgar as escolhas do roteiro assinado por Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento.
“Ao mesmo tempo que é um prazer poder construir e humanizar esse personagem, é muito difícil entrar numa discussão onde um homem pode ser o causador do término dessa relação”, explicou o ator em entrevista aos Estúdios Globo. Ele ressaltou que, embora o movimento feminista tenha avançado em pautas pertinentes, a realidade de conflitos amorosos ainda persiste, e a dramaturgia tem o papel de retratar isso de forma consciente.
Desconstruindo a toxicidade masculina na ficção
Para evitar que Leandro se tornasse um personagem tóxico ou insensível, David Junior aproveitou a oportunidade para rever comportamentos aprendidos em sua própria juventude. O ator destacou que, na adolescência, foi exposto a crenças que valorizavam a quantidade de conquistas amorosas como um sinal de virilidade, algo que ele fez questão de desconstruir na composição do papel.
“Como é que esse cara age sem ser um escroto, sem ser um sonso ou aquele garanhão que sai atropelando o sentimento das pessoas?”, questionou-se. O artista buscou mostrar um homem que se entrega inteiramente a cada relação, respeitando a trajetória de Agrado e, posteriormente, de Eduarda, sem o desejo deliberado de destruir o laço de amizade entre as duas protagonistas.
Repercussão pública e o termômetro das ruas
Enquanto as redes sociais fervilham com opiniões divididas sobre qual seria o par ideal para Leandro, David Junior confessa que prefere se manter afastado do ambiente digital. O ator afirma que o discurso de ódio online pode ser inflamatório e prefere medir o sucesso de seu trabalho através do contato direto com o público, especialmente em interações presenciais nas ruas.
Para o artista, ouvir o feedback de telespectadores que acompanham novelas há décadas é o que realmente valida sua performance. “É muito legal parar no mercado e ouvir um senhor de 60 anos falar comigo sobre a novela. Isso para mim mostra que estamos no caminho certo”, comemorou. Essa troca olho no olho, segundo ele, é o que o abastece para continuar dando vida às nuances de Leandro.
A visão das atrizes sobre o conflito
O debate sobre a trama não se restringiu apenas ao público ou ao intérprete de Leandro. Isadora Cruz, a Agrado, revelou que tanto ela quanto Gabz sentiram dificuldade em gravar cenas que focassem apenas na disputa por um homem. As atrizes expressaram o desejo de ver suas personagens explorando outros tipos de conflitos, mais condizentes com as vivências das mulheres contemporâneas.
“Para mim e para a Gabz foi muito difícil estar nesse lugar de ter duas personagens que são tão amigas brigando por homem”, pontuou Isadora. Apesar disso, a atriz reforçou que a ligação entre as duas cantoras sertanejas na ficção provou ser mais resiliente do que qualquer paixão passageira, mantendo a essência da amizade acima das tensões do roteiro.
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