Netflix recria a saga do Tri de 70 com elenco de craques e um Pelé que impressiona
A minissérie Brasil 70: A Saga do Tri, que tem estreia marcada para esta sexta-feira (29) na plataforma Netflix, promete levar os espectadores a uma imersão profunda na história do tricampeonato mundial de futebol. Para garantir a autenticidade da produção, os diretores Pedro Morelli e Paulo Morelli revelaram, durante um painel no Rio2C nesta quarta-feira (27), os bastidores de um rigoroso processo de seleção que exigiu mais do que apenas talento para atuar: os atores precisavam ser “bons de bola” de verdade.
Essa busca por realismo em campo foi um dos pilares da produção, que se propõe a reviver a emoção e a complexidade da campanha vitoriosa da Seleção Brasileira em 1970, no México. Em um período de efervescência política e social no Brasil, o futebol se tornou um espelho das aspirações e tensões nacionais, e a série busca capturar essa essência com um elenco que realmente joga.
A busca por autenticidade em campo: a “peneira” de craques
A equipe de Brasil 70: A Saga do Tri enfrentou um desafio incomum para uma produção dramática: encontrar atores que pudessem convencer tanto na interpretação quanto na habilidade com a bola. Pedro Morelli descreveu o processo como uma verdadeira “peneira”, onde cada candidato passava por testes de futebol, realizando circuitos e jogadas que eram avaliadas. “Tinha que saber atuar e saber jogar bola. Então, todos os atletas passaram por um teste de futebol, tiveram que fazer ali um circuito, jogar bola e ganhar uma nota. Todo mundo jogava de verdade”, explicou o diretor.
Essa exigência se traduz diretamente na tela. Segundo Morelli, não há dublês para as cenas de jogo, exceto em planos muito gerais para evitar lesões. “É o nosso elenco que você vê. É uma série de dramaturgia, tem toda a parte dramática e tal, mas quando entra em campo, você está amando os personagens, acompanhando a trajetória deles, sabendo o que está passando na cabeça deles… mas são eles [os atores], jogando bola”, resumiu. Essa abordagem visa proporcionar uma experiência mais imersiva e crível para o público, onde a paixão pelo futebol transborda da tela.
O contexto histórico do tricampeonato e os desafios da nação
A minissérie não se limita apenas aos gramados; ela mergulha no cenário político e social do Brasil da época. Em 1970, o país vivia sob o regime da Ditadura Militar (1964-1985), e a Seleção Brasileira carregava o peso de resgatar o prestígio nacional no futebol após a decepcionante derrota no Mundial de 1966. A trama explora essa jornada, desde a preparação inicial sob o comando de João Saldanha (interpretado por Rodrigo Santoro) até a transição para Mário Zagallo (vivido por Bruno Mazzeo), que assumiu a equipe em meio aos conflitos do período mais duro da ditadura.
A narrativa promete abordar a demissão de Saldanha e como Zagallo, com o time já formado, conduziu o Brasil à consagração do título. Essa contextualização histórica é crucial para entender a dimensão do tricampeonato, que transcendeu o esporte para se tornar um símbolo de orgulho e união nacional em um momento de grandes tensões. A vitória de 1970 é vista por muitos como um dos maiores feitos do futebol brasileiro, um marco que ecoa até hoje na memória coletiva do país. Para mais detalhes sobre a Copa de 1970, você pode consultar a página da Wikipédia sobre o evento.
Lucas Agrícola: o Pelé que impressiona e levanta suspeitas
Um dos pontos altos da produção é a escolha de Lucas Agrícola para interpretar Pelé (1940-2022). A semelhança do jovem ator com o Rei do Futebol é tão impressionante que tem despertado comentários e até brincadeiras sobre uma possível ligação familiar. Pedro Morelli destacou não apenas a semelhança física, mas também a voz e o jeito de falar de Agrícola, que remetem diretamente ao ícone do futebol.
As coincidências não param por aí: a família de Lucas Agrícola é de Três Corações, em Minas Gerais, a mesma cidade natal de Pelé. “Acho que a gente teve uma sorte meio abençoada de encontrar o Lucas, que, além da semelhança física, tem a voz do Pelé. O jeito de falar é muito impressionante, parece mesmo o Pelé. A família dele é de Três Corações [MG] também, então aconteceu alguma coisa misteriosa”, comentou Morelli. Durante o painel no Rio2C, a apresentadora Domitila Becker chegou a sugerir, em tom bem-humorado, um teste de DNA, evidenciando o quão convincente é a interpretação e a caracterização.
Magia e realismo na produção da Netflix
Apesar da autenticidade em campo, a produção de Brasil 70: A Saga do Tri também utilizou recursos tecnológicos avançados. Os estádios, por exemplo, são totalmente digitais, mas, como ressaltou Pedro Morelli, “o jogo em si, que é onde está a alma, era real”. A equipe enfrentou desafios complexos, como a recriação do primeiro gol de Pelé na Copa, um lance famoso que exigiu cerca de 30 a 40 takes para ser capturado com a movimentação de câmera desejada.
Para os realizadores, a presença de Pelé, mesmo após seu falecimento em 2022, foi sentida durante as gravações. “Tivemos também alguns momentos mágicos ali, que o Pelé estava olhando e abençoando, e era muito emocionante, porque a série foi feita por pessoas apaixonadas pelo futebol. Então, acredito que a gente teve uma bênção ali de cima”, revelou Pedro Morelli, expressando o carinho e a dedicação da equipe em honrar o legado do maior jogador de todos os tempos.
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