Jairinho no julgamento de Henry Borel: ex-vereador admite infidelidades e nega agressões

Jairinho no julgamento de Henry Borel: ex-vereador admite infidelidades e nega agressões

Em um dos momentos mais aguardados do julgamento da morte de Henry Borel, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, prestou depoimento aos jurados no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Após mais de seis horas de fala de Monique Medeiros, mãe de Henry e também ré no processo, Jairinho iniciou seu interrogatório na tarde desta terça-feira, 2 de junho, às 16h50, trazendo à tona detalhes de sua vida pessoal e defendendo-se das acusações que pesam contra ele.

O depoimento de Jairinho foi marcado por uma estratégia de defesa clara: o réu optou por responder apenas às perguntas de seus próprios advogados, recusando-se a ser questionado pela acusação e pela juíza responsável pelo caso. Essa decisão é comum em julgamentos de alta complexidade e busca controlar a narrativa apresentada aos jurados, focando nos pontos que a defesa considera mais favoráveis.

O Contexto do Julgamento e a Estratégia da Defesa

O caso Henry Borel, que chocou o país em 2021, continua a ser um dos mais acompanhados pela mídia e pela sociedade brasileira. A morte do menino de quatro anos, supostamente causada por agressões, levou à prisão de sua mãe, Monique Medeiros, e de seu então padrasto, Jairinho. O julgamento, que se estende por dias, é um marco na busca por justiça para a criança.

Durante a sessão, um momento de cunho pessoal chamou a atenção no plenário: Luis Fernando Abidu, filho de Jairinho e membro de sua equipe de defesa, abraçou e beijou discretamente o pai antes do início do depoimento. Este gesto, embora sutil, adicionou uma camada humana e emocional ao ambiente já carregado de tensão do tribunal, em meio a um processo de grande repercussão.

A Imagem de Família e o Arrependimento Político

Ao iniciar sua fala, Jairinho buscou construir uma imagem de homem ligado à família e com valores tradicionais. Visivelmente emocionado, ele recordou parentes próximos, especialmente um sobrinho, e fez questão de destacar a forte relação que mantinha com seu pai, o coronel Jairo. Essa tentativa de humanização e de conexão com os jurados é uma tática comum em tribunais, visando gerar empatia e desviar o foco das acusações mais graves.

O ex-vereador também abordou sua trajetória profissional, expressando arrependimento por ter seguido carreira política. “Se pudesse, teria deixado a carreira política de lado e me dedicado à medicina”, declarou, sugerindo que suas escolhas profissionais o teriam afastado de um caminho mais desejável. Ele ainda afirmou ter sido sempre um pai presente, buscando reforçar sua imagem de cuidador e responsável.

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