Izabella Camargo relata isolamento e rejeição de colegas após retorno à Globo por via judicial

O retorno conturbado e o isolamento nos corredores

A jornalista Izabella Camargo, que se tornou uma das vozes mais ativas na conscientização sobre a síndrome de burnout no Brasil, abriu detalhes sobre o período em que retornou à Globo por determinação da Justiça do Trabalho. Em entrevista recente à LeoDias TV, a profissional descreveu um ambiente de trabalho hostil, marcado pelo distanciamento de antigos colegas após sua reintegração em 2019.

Segundo o relato da jornalista, a experiência de retornar à emissora foi traumática. Ela afirma ter sido orientada a utilizar a escada de emergência para acessar as dependências da empresa e relata que o comportamento de seus pares mudou drasticamente. “As pessoas me evitavam no corredor. Aquelas mesmas pessoas que me abraçavam e estavam comigo todos os dias, agora me evitavam”, desabafou.

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O peso do burnout e a cultura do medo

O diagnóstico de burnout de Izabella Camargo ocorreu em 2018, após um episódio de “apagão” ao vivo enquanto apresentava a previsão do tempo nos telejornais Hora 1, Bom Dia Brasil e GloboNews em Ponto. Na ocasião, ela esqueceu o nome da capital do Paraná, estado onde nasceu, o que serviu como um alerta crítico sobre sua saúde mental.

A jornalista aponta que o esgotamento não foi um evento isolado, mas o resultado de uma rotina exaustiva e de um ambiente de trabalho que ela classifica como tóxico. “Quem vive um ambiente com uma comunicação difícil acaba vivendo vários tipos de assédio. Não é que o primeiro assédio faz o copo transbordar; estou falando de uma situação recorrente há anos”, pontuou.

Ameaça velada e o desligamento definitivo

A situação no ambiente corporativo tornou-se insustentável após a reintegração judicial. Izabella relata que até mesmo o uso do banheiro era motivo de tensão, pois colegas temiam ser vistos conversando com ela. “Eu representava uma ameaça de quê? Da verdade? Tive que pedir para sair”, afirmou, destacando que as funções que passou a exercer após o retorno eram inferiores às que desempenhava anteriormente, o que agravou seu quadro de saúde.

Após o acordo para o desligamento definitivo da emissora em 2019, a jornalista redirecionou sua carreira. Hoje, ela se dedica ao podcast Interioriza e à disseminação de informações sobre saúde mental, tema central de seu livro Dá um Tempo!: Como Encontrar Limite em um Mundo Sem Limites, publicado em 2020.

A relevância do debate sobre saúde mental

O relato de Izabella Camargo traz à tona a importância de discutir a cultura organizacional nas grandes empresas de comunicação. O caso ilustra como o estigma em torno de doenças ocupacionais pode isolar o trabalhador, mesmo após vitórias judiciais. A coragem de expor os bastidores desse processo reforça a necessidade de ambientes profissionais mais acolhedores e menos focados em produtividade desenfreada.

Para acompanhar mais desdobramentos sobre o mercado de trabalho, bastidores da televisão e temas de relevância social, continue navegando pelo Giro da Fofoca. Nosso compromisso é levar até você informações apuradas, contextuais e que promovem a reflexão sobre os fatos que movimentam o país.

Para mais informações sobre direitos trabalhistas e saúde mental, consulte o portal Ministério do Trabalho e Emprego.

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