Giulia Gam revela bastidores de afastamento de 12 anos e celebra retorno à TV

A atriz Giulia Gam, um dos rostos mais marcantes da teledramaturgia brasileira, está de volta às telas após um hiato de 12 anos das novelas tradicionais. Seu retorno acontece no microdrama vertical O Acerto de Contas das Gêmeas Trocadas, que estreou no Globoplay na última terça-feira (21). Longe do gênero desde Boogie Oogie (2014), a artista abriu o jogo sobre os motivos que a levaram a se afastar, revelando um período de profunda reorganização pessoal.

Em entrevista exclusiva, Giulia explicou que a pausa foi uma necessidade imposta por questões estritamente pessoais. “Eu parei por questões absolutamente pessoais. Precisei dar esse tempo para minha vida. Eu comecei muito cedo, com 15 anos, trabalhei muito”, afirmou a atriz, que ao longo de sua carreira entregou performances intensas e memoráveis.

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Um hiato necessário para a vida pessoal

Embora prefira não se aprofundar nos detalhes, Giulia Gam confirmou que seu afastamento foi motivado por um quadro de depressão. A decisão de pausar a carreira foi um ato de autocuidado, buscando um tempo para se reequilibrar após décadas de trabalho ininterrupto e exigente. “Fiz muita coisa intensa; então, acho que tem um momento em que você tem que parar um pouco mesmo e juntar suas peças para ter forças de novo e encarar os 60 anos”, refletiu a atriz, que completará seis décadas de vida em dezembro.

Esse período de introspecção e recuperação é um lembrete da pressão e do desgaste que a vida pública e a intensidade da atuação podem causar, mesmo em profissionais experientes e aclamados. A escolha de priorizar a saúde mental e o bem-estar pessoal ressoa com muitos que buscam um equilíbrio em suas próprias vidas, mostrando a humanidade por trás da figura pública.

O retorno em novo formato: microdramas verticais

O projeto que marca o retorno de Giulia é um microdrama vertical, um formato inovador que se adapta ao consumo de conteúdo em dispositivos móveis. A atriz destacou a agilidade desse tipo de produção como um dos pontos positivos. “A feitura [dos microdramas] é muito rápida, gravei em cinco dias. É uma coisa que eu achei bacana, porque o nosso trabalho é interpretar o texto e fazer a cena”, explicou.

Essa experiência contrasta fortemente com o ritmo das novelas tradicionais, que exigem meses de dedicação exclusiva. A rapidez na gravação e a menor complexidade técnica, segundo Giulia, permitem que o ator se concentre mais na essência da interpretação, sem o longo e por vezes exaustivo aparato de uma grande produção. É um modelo que oferece flexibilidade e uma nova abordagem para a arte de atuar, atraindo artistas que buscam diferentes desafios e ritmos de trabalho.

Entre o folhetim tradicional e as novas plataformas

Questionada sobre a possibilidade de retornar a um folhetim tradicional, Giulia Gam não descartou a ideia, expressando o desejo de “experimentar”. Contudo, ela ponderou sobre os desafios. “Não sei se eu tenho fôlego. Talvez teria que me preparar emocionalmente para fazer, mas acho bacana atingir o público brasileiro, da TV aberta. A Globo ainda é uma coisa muito importante, de muita visibilidade. Não dá para descartar um produto como esse”, afirmou.

A atriz demonstrou desconhecimento sobre o atual modelo de gravações da Globo, que tem adaptado suas produções para formatos mais curtos, mas ainda assim demandam um compromisso significativo. “Não sei como tem sido o dia a dia da produção, como a Globo se organiza para fazer. O tempo é menor, não tem mais novelas de 250 capítulos. Mas a gente sabe que é um ano da sua vida que você se dedica àquilo exclusivamente, principalmente, se for uma protagonista”, completou, evidenciando a intensidade que as novelas ainda representam.

A transformação do consumo televisivo

Giulia também compartilhou suas reflexões sobre a mudança nos hábitos de consumo de televisão no Brasil. Para ela, houve uma perda do “ritual” coletivo que antes envolvia a TV aberta. “Antes, existia um ritual em que você sentava naquela hora, assistia à determinada cena e você sabia que o Brasil estava assistindo à mesma cena que você, que nem a Copa”, lembrou.

A ascensão das plataformas de streaming e a fragmentação do público transformaram a experiência de assistir à televisão em um prazer mais individualizado. “O impacto de ver na hora se perdeu, virou um prazer individual, não é mais coletivo. Eu acho uma pena. A novela na TV aberta é muito legal, justamente, por sentir o público e ir se definindo”, lamentou a atriz, ressaltando a importância da interação e da repercussão em tempo real que as novelas tradicionais proporcionavam.

O carinho do público e o legado de uma carreira

A volta de Giulia Gam foi recebida com grande entusiasmo pelos internautas, que enviaram inúmeras mensagens carinhosas. A atriz enxerga esses pedidos de retorno como uma manifestação do impacto duradouro de sua carreira. “Fiz uma novela há 12 anos, e as pessoas ainda querem me ver e lembram de mim — e pessoas jovens! Realmente, devo ter feito uma carreira de muito impacto, porque ficou marcado nas pessoas”, celebrou.

Esse reconhecimento do público, mesmo após um longo período de afastamento, atesta a força e a relevância de seu trabalho ao longo dos anos. A capacidade de Giulia Gam de se conectar com diferentes gerações de espectadores reforça seu status como uma das grandes atrizes de sua geração, cujo talento e presença continuam a ser valorizados. Para mais informações sobre o universo da televisão e do entretenimento, clique aqui.

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