A possibilidade de a Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) expandir a Copa do Mundo para 64 seleções, um salto significativo em relação ao formato atual e ao já anunciado para 2026, acendeu um intenso debate entre os principais colunistas esportivos do país. A discussão, que ganhou destaque no programa Posse de Bola, do Canal UOL, revela as complexas camadas que envolvem o futuro do torneio mais prestigiado do futebol mundial, abordando desde questões logísticas e de formato até o impacto nas eliminatórias e a própria essência da competição.
A pauta surge em um momento crucial, com a Copa do Mundo de 2026 já confirmada para um formato com 48 seleções, divididas em 12 grupos de quatro equipes, totalizando 104 jogos. Essa mudança, por si só, já representou uma quebra de paradigma em relação ao tradicional modelo de 32 seleções. Agora, a ideia de um torneio ainda maior, com 64 participantes, levanta novas perguntas e polariza as opiniões de especialistas e fãs.
A polêmica da expansão: de 32 para 48 e o próximo passo
A transição de 32 para 48 seleções para a Copa de 2026 já gerou controvérsia, mas para alguns, o próximo passo rumo a 64 equipes parece quase inevitável. O comentarista Danilo Lavieri, por exemplo, admitiu uma mudança de perspectiva. “Eu era rigorosamente contra a mudança de 32 para 48 seleções, mas o resultado dessa Copa me fez aprovar”, afirmou. Para ele, a expansão para 64 resolveria o “problema dos terceiros colocados” – uma questão que surge com o formato de grupos de três equipes, onde a classificação pode ser mais complexa e desigual.
A lógica matemática também foi um ponto levantado por Arnaldo Ribeiro. “É quase inevitável, com esse inchaço absurdo, agora que terminem as eliminatórias, né? Quase que inevitável passar de 48 para 64 por questões matemáticas”, ponderou. A ideia de ter uma fase a mais de mata-mata, que seria uma consequência natural de um torneio com 64 seleções, agrada a alguns, como Luiza Oliveira, que vê nisso uma forma de “resolver o problema dos terceiros colocados” e encaixar melhor o torneio.
Logística e o desafio das sedes múltiplas
No entanto, a aprovação da expansão não vem sem ressalvas, especialmente no que tange à logística e ao modelo de sedes. Luiza Oliveira, embora goste da ideia para o formato de mata-mata, expressou preocupação com as eliminatórias, que se tornariam ainda mais longas e desgastantes. Além disso, ela criticou a tendência de espalhar a Copa por muitos países. “Não gosto da Copa em vários países. Não gosto”, declarou.
A solução para o volume de jogos em um torneio com 64 seleções, segundo Lavieri, poderia ser a distribuição de grupos inteiros em diferentes nações. Ele citou a possibilidade de jogos de abertura no Paraguai, Uruguai e Argentina, e o restante em países como Espanha, Marrocos e Portugal. Walter Casagrande, que se posicionou contra o aumento por considerá-lo “excessivo”, ironizou a ideia, sugerindo que, se a expansão for inevitável, a final poderia ser na China, reforçando a percepção de uma dispersão geográfica extrema do evento.
O embate entre clubes e entidades: a essência do futebol em jogo
A discussão sobre a expansão da Copa do Mundo transcende o mero formato e toca em questões mais profundas sobre o futuro do futebol. Juca Kfouri, por exemplo, enquadrou o debate em uma crítica mais ampla ao que ele vê como a transformação do torneio em um “festival de futebol” em detrimento de sua essência competitiva. Para Kfouri, as mudanças propostas pela FIFA podem descaracterizar o jogo, tornando-o menos um campeonato e mais um espetáculo globalizado.
Arnaldo Ribeiro também trouxe à tona um ponto crucial: o embate de interesses entre as entidades que regem o futebol, como FIFA e UEFA, e os clubes, que são os verdadeiros empregadores dos jogadores. “Quem paga os jogadores, quem contrata jogador são os clubes. É muito legal esse festival de 64 seleções, espetacular esse ato na vida. Porém, quem sustenta o Mbappé por quatro anos é o Real Madrid, não é a seleção francesa. Então, tem muita coisa em jogo nesse negócio”, argumentou Ribeiro. Essa tensão entre a demanda por mais jogos internacionais e a necessidade dos clubes de proteger seus atletas e investimentos é um dos maiores desafios para o futuro do calendário do futebol global.
A expansão da Copa do Mundo para 64 seleções, embora vista por alguns como uma evolução natural ou uma necessidade matemática, é um tema que levanta complexas questões sobre a sustentabilidade do esporte, a experiência dos torcedores e a própria identidade do torneio. O debate segue aberto, e as decisões da FIFA terão um impacto duradouro no cenário do futebol mundial.
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