O velório de Benedito Ruy Barbosa, realizado nesta terça-feira (07), tornou-se um espaço de celebração da memória da teledramaturgia brasileira. Entre homenagens e despedidas, grandes nomes que trabalharam com o autor compartilharam episódios inéditos dos bastidores de suas obras, com destaque para a icônica novela Pantanal, exibida originalmente pela TV Manchete em 1990.
O rigor criativo de um autor visionário
A produção de Pantanal não foi apenas um marco técnico para a época, mas um reflexo do controle criativo exercido pelo autor. Durante a cerimônia, o cantor Sérgio Reis relembrou a postura exigente de Benedito, que participava ativamente de cada detalhe, desde a escalação do elenco até a seleção da trilha sonora. Segundo Reis, o autor possuía uma visão clara sobre a narrativa que desejava construir e não aceitava desvios de sua rota original.
Essa dedicação extrema era uma marca registrada de sua carreira. Ao recordar os bastidores, o cantor destacou que o sucesso da trama não foi obra do acaso, mas fruto de um planejamento minucioso. Benedito Ruy Barbosa acompanhava o desenrolar das gravações com um olhar atento, garantindo que a essência de sua obra fosse preservada em cada capítulo levado ao ar.
Conflito nos bastidores e a defesa do roteiro
Um dos momentos mais reveladores compartilhados por Sérgio Reis envolveu o diretor Jayme Monjardim. Durante as gravações, Reis recebeu a orientação de substituir a música prevista no roteiro original pela canção Chalana. A alteração, porém, não passou despercebida pelo autor, que entrou em contato com a equipe de produção em questão de minutos.
“Meio minuto depois ele ligou: ‘Quem deu ordem para você cantar Chalana?’. Eu falei: ‘Foi o diretor’”, recordou Reis. O cantor descreveu que, na sequência, Benedito Ruy Barbosa não hesitou em confrontar Monjardim, dando o que descreveu como uma “cacetada”. O autor foi enfático ao exigir que o diretor seguisse estritamente o que estava escrito, reforçando sua autoridade criativa ao afirmar: “Você não é o autor, o autor sou eu”.
Legado para a música e a dramaturgia
Além das histórias de bastidores, o velório foi marcado por um sentimento de gratidão. Almir Sater, outro pilar da música sertaneja que ganhou projeção nacional através das novelas de Benedito, destacou como o autor foi fundamental para a popularização da viola caipira. Para Sater, a confiança do dramaturgo em seu talento transformou sua trajetória pessoal e profissional.
A importância do autor para a cultura brasileira foi reforçada por outros artistas presentes. Cristina Oliveira, a eterna Juma Marruá, relembrou a insistência de Benedito para que ela assumisse o papel principal, enquanto Oscar Magrini citou como o autor valorizava seus personagens, expandindo participações que inicialmente seriam breves, como ocorreu em O Rei do Gado.
Benedito Ruy Barbosa faleceu aos 95 anos, vítima de complicações decorrentes de uma insuficiência renal crônica, conforme informações do Hospital do Coração (HCor). Sua partida deixa um legado de obras que moldaram o imaginário popular brasileiro e uma lição sobre a importância da fidelidade ao texto original na televisão.
O Giro da Fofoca segue acompanhando as homenagens e os desdobramentos sobre a vida e a obra deste gigante da dramaturgia. Continue conosco para mais atualizações sobre o cenário artístico e as histórias que marcaram a história da televisão no Brasil.
