A cantora Luísa Sonza abriu o jogo sobre o processo por racismo que enfrentou em 2018, em uma entrevista franca ao programa Desculpa Alguma Coisa, do Canal UOL, conduzido por Tati Bernardi. A artista enfatizou a importância de responder com atitudes concretas em vez de justificativas, marcando uma fase de amadurecimento e reflexão sobre seu papel como figura pública na sociedade brasileira.
O episódio, que gerou grande repercussão na época, envolveu a advogada Isabel Macedo de Jesus e trouxe à tona discussões cruciais sobre racismo estrutural e a responsabilidade de indivíduos, especialmente aqueles com grande visibilidade, em combater preconceitos. A conversa de Sonza com Bernardi oferece uma perspectiva aprofundada sobre como o tempo e a experiência moldaram sua compreensão sobre o impacto de suas ações.
O incidente de 2018 e a acusação de racismo
O cerne da controvérsia remonta a uma festa em Fernando de Noronha, no ano de 2018. Luísa Sonza, então com 18 anos, foi acusada de cometer um ato racista ao pedir um copo de água a uma mulher negra, a advogada Isabel Macedo de Jesus, que estava presente no evento como convidada e não como parte da equipe de serviço. O incidente rapidamente escalou para um processo judicial, colocando a cantora no centro de um debate nacional sobre racismo e privilégio.
A situação gerou uma onda de discussões nas redes sociais e na mídia, expondo a complexidade das relações raciais no Brasil e a forma como atitudes, mesmo que não intencionais, podem reproduzir preconceitos arraigados. Para muitas pessoas, o caso de Luísa Sonza serviu como um lembrete doloroso da invisibilidade e da objetificação que pessoas negras frequentemente enfrentam em espaços sociais.
A virada de chave: do individual ao social
Durante a entrevista, Luísa Sonza compartilhou sua jornada de autoconhecimento e a mudança de perspectiva que o episódio lhe trouxe. Inicialmente, sua reação foi de defesa individual, focada em sua própria intenção. No entanto, com o passar do tempo, a artista relata ter compreendido que a questão transcende o individual e se concentra no impacto que suas ações têm sobre o outro, especialmente em um contexto social mais amplo.
“Você não entende, tipo assim: ‘gente, mas não é que não é sobre mim. É sobre o outro, sobre como o outro se sente’”, afirmou a cantora. Ela reconhece sua posição como uma pessoa que atinge muitas pessoas e, por isso, seu comportamento deve ser socialmente consciente, contribuindo para desconstruir estruturas racistas, elitistas e machistas, em vez de reforçá-las. Essa percepção é crucial para figuras públicas, cuja influência pode tanto perpetuar quanto combater desigualdades.
A responsabilidade da mulher branca e o combate ao racismo
Um dos pontos mais enfáticos da fala de Sonza foi sua reflexão sobre o papel das mulheres brancas na luta antirracista. A cantora se posicionou como uma mulher branca e defendeu que a responsabilidade de enfrentar o racismo recai sobre esse grupo, e não sobre as pessoas pretas, que já são as maiores vítimas do preconceito. “A luta contra o racismo e o problema do racismo é com a gente. Entende? Não são com as pessoas pretas. A gente tem esse dever”, declarou.
Essa perspectiva ressoa com o entendimento de que o racismo é um problema de toda a sociedade e que a população branca tem um papel ativo e indispensável na sua erradicação, desmantelando privilégios e combatendo ativamente as manifestações de preconceito. É um chamado à ação e à conscientização para aqueles que historicamente se beneficiaram de estruturas discriminatórias.
Ações concretas e o amadurecimento contínuo
Luísa Sonza reiterou que prefere agir a justificar-se. Para ela, as atitudes são a melhor resposta e a forma mais genuína de demonstrar amadurecimento e compromisso com a mudança. A cantora mencionou que busca se atualizar constantemente e que suas ações, muitas vezes realizadas “por trás das câmeras”, são a verdadeira prova de sua evolução.
Um exemplo de seu engajamento é o apoio ao projeto TPM (Todas Podem Mixar) há sete anos. A iniciativa, focada em mulheres e majoritariamente em mulheres pretas, oferece cursos profissionalizantes, promovendo inclusão e empoderamento. Sonza expressa que não gosta de “ficar contando” sobre suas ajudas, acreditando que as atitudes se manifestam e se provam com o tempo, em vez de serem meras declarações públicas. Essa postura reflete um compromisso mais profundo e menos performático com as causas sociais.
A entrevista completa de Luísa Sonza no Desculpa Alguma Coisa está disponível no YouTube de Universa e no Canal UOL, onde novos episódios são lançados toda quarta-feira, com Tati Bernardi explorando conversas profundas e reveladoras com seus convidados.
Acompanhe o Giro da Fofoca para ficar por dentro das últimas notícias, análises e entrevistas que movem o cenário cultural e social. Nosso compromisso é trazer informação relevante, atual e contextualizada, com a credibilidade que você merece, explorando a fundo os temas que importam para o público brasileiro.