A vivência de um campeão mundial na ficção
Após dedicar quatro meses intensos à imersão no universo do futebol para a minissérie Brasil 70: A Saga do Tri, da Netflix, o ator e diretor Hugo Haddad tornou-se uma voz autorizada sobre os desafios da posição de goleiro. Ao interpretar o lendário Félix, titular na conquista do tricampeonato mundial, o artista confessa que sua relação com o esporte era distante antes do projeto. Contudo, o mergulho na biografia do arqueiro revelou uma figura complexa, frequentemente subestimada pela crítica da época, mas reverenciada pelos companheiros de equipe.
Conselhos para o gol brasileiro
Em entrevista exclusiva, Haddad traça um paralelo entre a pressão vivida por Félix em 1970 e o cenário atual enfrentado por Alisson Becker, provável titular da meta brasileira na Copa do Mundo de 2026. Para o ator, o segredo para o sucesso reside na blindagem psicológica. “Tem que ter uma autoconfiança tremenda, que era o que o Félix tinha. A seleção era desacreditada mesmo tendo Pelé, e o Félix era a representação máxima dessa pessoa desacreditada”, analisa.
O intérprete sugere que o goleiro atual precisa ignorar o ruído das redes sociais e focar na qualidade técnica que já provou possuir em clubes europeus. Segundo Haddad, a pressão pode ser convertida em combustível, desde que o atleta se imponha e assuma o protagonismo, tratando a oportunidade como uma “última dança”, termo que ele utiliza para descrever o espírito de superação de seu personagem na produção da Netflix.
Bastidores e a rotina de atleta
A preparação para Brasil 70 foi além do estudo histórico. O elenco passou por uma rotina de atleta profissional, com dois meses de ensaios físicos e táticos antes mesmo de as câmeras começarem a rodar. A convivência forçada em um ambiente de concentração real ajudou a criar a sintonia necessária para reproduzir os lances históricos com precisão coreográfica. Para Haddad, essa experiência foi enriquecida por sua bagagem como diretor, que lhe permitiu compreender a dinâmica de set de forma mais ampla.
Novos horizontes na direção
O sucesso na atuação não afastou o cineasta de seus planos atrás das câmeras. Com estreia prevista para 2027, Haddad prepara seu primeiro longa-metragem de ficção, ambientado em Minas Gerais. O filme abordará o dilema de um operador de explosivos que passa a questionar o impacto ambiental e social da mineração em sua terra natal. O projeto promete um olhar sensível sobre um tema pouco explorado, unindo a visão técnica de diretor à nova sensibilidade adquirida como ator.
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