Longe das novelas desde 2012, o veterano Nuno Leal Maia, de 78 anos, rompeu o silêncio sobre o atual panorama da teledramaturgia brasileira. Em entrevista recente, o ator, que construiu uma trajetória sólida na Globo, não poupou críticas à estratégia de renovação adotada pela emissora nos últimos anos, marcando um distanciamento definitivo dos estúdios de gravação.
A transição do elenco e a crítica aos novos tempos
O ponto central da insatisfação de Nuno Leal Maia reside na política de dispensa de talentos fixos, uma prática que se tornou comum no mercado televisivo brasileiro. O ator foi enfático ao classificar a mudança de rumo da emissora como um erro estratégico, especialmente no que diz respeito à substituição de atores experientes por personalidades da internet.
“A Globo é burra pra caramba. Jogou fora todos os atores e apostou nos influenciadores digitais”, disparou o artista. Para ele, a busca incessante por engajamento nas redes sociais tem custado a qualidade artística e a identidade que consolidaram o canal como referência na produção de novelas.
O legado da era Boni e a reestruturação interna
O ator aponta que o problema não reside na instituição, mas nas mudanças de gestão que alteraram a cultura organizacional da empresa. Em sua visão, o padrão de excelência e o rigor técnico que marcaram a gestão de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, teriam se perdido ao longo do tempo.
O veterano destacou que a reestruturação iniciada em 2020, sob o comando de Ricardo Waddington, representou um ponto de virada negativo para o setor. Para Nuno Leal Maia, essa transição administrativa desmantelou o “espírito de trabalho” que, por décadas, garantiu o sucesso das produções nacionais.
Defesa da memória e o futuro na arte
Mesmo crítico ao formato atual, o ator defende a preservação das obras que marcaram época. Ao ser questionado sobre as reprises de sucessos como A Gata Comeu, onde interpretou o icônico Fábio, ele se posiciona contra qualquer tipo de censura ou cortes em cenas consideradas politicamente incorretas pelos padrões atuais.
“Isso é arte. Pura arte. Naquela época, a cabeça era outra”, afirmou. Atualmente, o ator mantém seu foco voltado para o teatro e projetos cinematográficos que apresentem roteiros instigantes. Ele descarta um retorno ao ritmo exaustivo das novelas, brincando que o modelo atual de produção dificilmente seria compatível com sua postura profissional: “Novela não sei se daria certo. Eles não vão me aguentar mais”.
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