SBT adota estratégia da Globo e convoca público para combater delay da Cazé TV

SBT adota estratégia da Globo e convoca público para combater delay da Cazé TV

A disputa pela audiência durante a Copa do Mundo ganhou um novo capítulo estratégico neste fim de semana. Em uma movimentação que reflete a preocupação das emissoras tradicionais com o avanço das plataformas digitais, o SBT decidiu seguir os passos da Globo e iniciou uma campanha direta para atrair o telespectador para a sua grade de transmissão, utilizando como principal argumento a ausência de atraso na exibição dos lances.

Durante a edição do programa Domingo Legal, exibida no dia 31 de maio, o apresentador Celso Portiolli fez um apelo enfático ao público. O comunicador incentivou os telespectadores a acompanharem as partidas da competição através do sinal da emissora, utilizando um argumento que toca em um ponto sensível para quem assiste a eventos esportivos via streaming: o famoso “delay”. Segundo Portiolli, sintonizar o SBT é a garantia de não correr o risco de ouvir o “vizinho gritar gol antes” da bola balançar a rede na própria televisão.

A estratégia das emissoras contra o streaming

O movimento do SBT não é isolado e reflete uma tendência de mercado. A própria Globo já havia iniciado uma ofensiva publicitária focada na mesma dor do espectador. A emissora carioca investiu no desenvolvimento de um sistema inédito de “baixa latência” dentro do Globoplay, justamente para mitigar o atraso que caracteriza as transmissões via internet. O objetivo central é claro: estancar a migração de audiência para a Cazé TV, que consolidou um público fiel e engajado em grandes eventos esportivos.

Para reforçar sua autoridade na cobertura, o SBT também recorreu a figuras consagradas do jornalismo esportivo. Durante sua fala, Celso Portiolli mencionou o nome de Galvão Bueno como um dos atrativos para que o público escolha a emissora fundada por Silvio Santos (1930-2024) para acompanhar os jogos, especialmente os da Seleção Brasileira. A estratégia busca unir a tradição da TV aberta com a necessidade de uma experiência de consumo imediata e sem interrupções técnicas.

Bastidores e a pressão pela audiência

Nos bastidores da emissora paulista, a ordem é clara. O discurso proferido por Celso Portiolli não foi uma iniciativa isolada, mas um pedido direto da diretoria do SBT, encabeçada por Murilo Fraga e Daniela Beyruti. A cúpula da rede busca garantir que o canal permaneça relevante e na memória do telespectador durante todo o período do mundial, evitando que a fragmentação da audiência prejudique os índices de ibope e o faturamento publicitário.

O cenário atual mostra que a televisão aberta está disposta a utilizar todos os recursos disponíveis para competir com a agilidade dos criadores de conteúdo digitais. Enquanto a Cazé TV aposta na informalidade e na proximidade com o público jovem, as redes tradicionais tentam equilibrar a balança investindo em tecnologia de ponta e no peso de seus nomes históricos. A batalha pela atenção do torcedor promete ser um dos pontos altos da cobertura esportiva nos próximos meses.

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