Alexandre Borges vive drama do vício em apostas na nova novela Quem Ama Cuida
As telenovelas brasileiras possuem um histórico consolidado de pautar discussões sociais de extrema relevância, e a nova produção da Globo, Quem Ama Cuida, não foge à regra. Escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, a trama traz à tona um tema contemporâneo e alarmante: a dependência em jogos de azar e apostas digitais. O ator Alexandre Borges assume o papel de Ulisses Brandão, um homem de origem abastada que vê seu patrimônio e estabilidade emocional ruírem diante da compulsão.
O enredo de Ulisses serve como um espelho para uma realidade que atinge milhares de brasileiros, especialmente com a explosão das plataformas de apostas online. Mesmo pertencendo a uma família com recursos, o personagem enfrenta severas dificuldades financeiras, evidenciando que o vício não escolhe classe social. A narrativa explora como a busca por um ganho rápido pode se transformar em uma espiral de perdas irreparáveis, afetando não apenas o bolso, mas toda a estrutura familiar e psicológica do indivíduo.
O mecanismo psicológico por trás da dependência
Para entender a profundidade do drama vivido pelo personagem de Alexandre Borges, é preciso olhar para a ciência por trás do comportamento compulsivo. O psiquiatra Eduardo Perin explica que o vício em apostas é alimentado pelo que a medicina chama de reforço intermitente. Esse fenômeno ocorre quando a recompensa (o ganho financeiro) acontece de forma imprevisível. Ora o apostador ganha, ora perde, e é justamente essa incerteza que mantém o cérebro em um estado de alerta e busca constante.
De acordo com o especialista, essa dinâmica cria um ciclo vicioso difícil de romper. A pessoa é levada a acreditar que a próxima jogada será a definitiva para recuperar o que foi perdido. Na ficção, Ulisses personifica essa esperança tóxica, negligenciando responsabilidades básicas na expectativa de um lucro que raramente se concretiza de forma sustentável. O acesso facilitado, agora disponível literalmente na palma da mão através dos smartphones, potencializa a frequência e a gravidade do problema.
Sinais de alerta e o impacto na vida cotidiana
Identificar quando o entretenimento se transforma em patologia é um dos maiores desafios para as famílias. No caso de Ulisses em Quem Ama Cuida, os sinais são progressivos e devastadores. O indivíduo passa a mentir sobre seus gastos, omite o tempo dedicado às plataformas e, em estágios mais avançados, começa a pedir dinheiro emprestado a parentes e amigos ou deixa de pagar contas essenciais para alimentar a compulsão.
O isolamento social e a irritabilidade quando não se está jogando também são indicadores clássicos. O psiquiatra ressalta que a perda de controle é o marco principal da dependência. Quando o sujeito percebe os prejuízos financeiros e emocionais, mas ainda assim não consegue interromper o comportamento, a intervenção profissional torna-se indispensável. A novela utiliza o cenário de São Paulo, sob a direção artística de Amora Mautner, para ilustrar como a agitação urbana e o estresse podem servir de gatilhos para esses comportamentos impulsivos.
Fatores de risco e a busca por tratamento
Embora qualquer pessoa possa desenvolver o vício, certos perfis psicológicos apresentam maior vulnerabilidade. Transtornos como o déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e o transtorno bipolar estão frequentemente associados a uma maior impulsividade, o que pode facilitar o surgimento da dependência em jogos. No entanto, o especialista reforça que o problema é multifatorial e pode atingir indivíduos sem diagnósticos prévios, impulsionados por crises financeiras ou busca por alívio emocional.
A boa notícia, tanto na vida real quanto na trajetória que se desenha para o personagem de Alexandre Borges, é que existe tratamento. O processo de recuperação é contínuo e exige um comprometimento profundo do paciente. A abordagem terapêutica geralmente envolve psicoterapia cognitivo-comportamental, suporte medicamentoso para controle da impulsividade e, em muitos casos, a participação em grupos de apoio. As recaídas, embora desanimadoras, devem ser encaradas como parte do processo de cura e não como um fracasso definitivo.
O drama de Ulisses em Quem Ama Cuida cumpre a função social de desmistificar o vício e encorajar aqueles que sofrem em silêncio a buscarem ajuda. Acompanhar o desenrolar dessa história é uma oportunidade para a sociedade refletir sobre os limites da tecnologia e a importância da saúde mental. Para continuar por dentro dos desdobramentos desta e de outras tramas, além de receber análises aprofundadas sobre comportamento e entretenimento, continue acompanhando o Giro da Fofoca, seu portal de confiança para informação com contexto e credibilidade.
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