Cena de novela 'Quem Ama Cuida' com entregador de pizza em apartamento gera debate sobre realidade paulistana

Uma cena exibida no último capítulo de “Quem Ama Cuida” na terça-feira (14) chamou a atenção dos telespectadores e gerou discussões nas redes sociais. A sequência mostrava Fábia (Flávia Alessandra) recebendo uma pizza diretamente das mãos de um entregador na porta de seu apartamento, enquanto Ulisses (Alexandre Borges) observava com ciúmes. Apesar de parecer um detalhe trivial para o enredo, que visava evidenciar o encantamento do entregador pela beleza de Fábia e o ciúme de Ulisses, a situação levantou um questionamento sobre a fidelidade da novela à realidade da cidade de São Paulo, onde a trama é ambientada.

O entregador, interpretado por um figurante, vestia a jaqueta com faixas refletivas e segurava um capacete, elementos que o identificavam como um motoboy. No entanto, a prática de entregadores subirem até os apartamentos para deixar encomendas é considerada incomum e, muitas vezes, inviável na capital paulista, especialmente em condomínios de alto padrão como o da família de Fábia e Ulisses.

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A realidade dos serviços de entrega em São Paulo

A cena em “Quem Ama Cuida” tocou em um ponto sensível da rotina urbana de São Paulo: as normas e costumes dos serviços de entrega. Na metrópole, é amplamente conhecido que a maioria dos condomínios, por questões de segurança e organização, proíbe ou restringe o acesso de entregadores às áreas residenciais. A prática comum é que o morador ou um funcionário do condomínio (como o porteiro ou a empregada) desça até a portaria para retirar a encomenda.

Essa regra não é uma imposição legal, mas uma diretriz interna dos próprios condomínios, visando proteger a privacidade e a segurança dos moradores. Além disso, as plataformas de delivery, em seus termos de serviço, geralmente esclarecem que os entregadores não são obrigados a subir aos apartamentos, e os clientes não podem exigir isso como parte do serviço contratado. A expectativa, portanto, é que a entrega seja feita na portaria ou em um ponto de coleta designado.

Deslizes de ambientação e a licença poética na ficção

Não é a primeira vez que “Quem Ama Cuida” é alvo de observações sobre sua ambientação na capital paulista. A novela já apresentou outros “deslizes” geográficos e logísticos que destoam da realidade. Um exemplo notável é o escritório de Pedro (Chay Suede), que, na trama, oferece uma vista para um famoso edifício na Avenida Paulista. Para ter tal vista, o escritório estaria localizado em um prédio que abriga a TV Gazeta, uma faculdade, um cinema e um teatro, o que seria incompatível com a descrição de “muquifo” do personagem, conforme dito por Carmita (Deborah Evelyn).

Outro momento que gerou estranhamento foi no primeiro capítulo, quando a novela misturou duas estações de metrô. Com o uso de efeitos especiais, imagens da estação Sumaré foram inseridas na Avenida Paulista, como se fosse a estação Trianon-Masp e houvesse um metrô suspenso no local, uma representação que foge completamente da infraestrutura real do transporte público paulistano.

O desafio da representação fiel em novelas

Embora uma obra de ficção, como uma novela, não precise replicar a realidade de forma totalmente literal, a ambientação em uma cidade real e tão emblemática como São Paulo exige um certo grau de cuidado. A capital paulista, além de ser a mais populosa do país, representa o maior mercado publicitário para as emissoras de televisão, o que amplifica a importância de uma representação que ressoe com a experiência do público local.

A escolha de ambientar uma trama em uma cidade real pode trazer um senso de familiaridade e identificação para o público, mas também acarreta a responsabilidade de manter uma coerência mínima com a realidade local. Quando as licenças poéticas se tornam frequentes e evidentes, o público pode questionar a verossimilhança da narrativa. Em casos de descolamento constante da realidade, a opção por uma cidade fictícia, como a Bom Retorno de “Coração Acelerado” ou a Barro Preto de “A Nobreza do Amor”, pode ser uma alternativa mais adequada, oferecendo maior liberdade criativa sem comprometer a credibilidade da ambientação.

“Quem Ama Cuida”, escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, com direção artística de Amora Mautner, continua a ser um dos destaques da programação. Para ficar por dentro de todos os detalhes, bastidores e análises aprofundadas sobre esta e outras produções, continue acompanhando o Giro da Fofoca. Nosso compromisso é trazer informação relevante, atual e contextualizada, explorando os fatos que movimentam o mundo do entretenimento e da cultura.

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