Sucesso de 'Quem Ama Cuida' leva Globo a flexibilizar protocolo de produção por Walcyr Carrasco

O fenômeno de audiência de ‘Quem Ama Cuida’ tem provocado uma verdadeira reviravolta nos bastidores da dramaturgia da TV Globo. Diante dos resultados expressivos, a emissora decidiu quebrar um de seus mais rígidos protocolos de produção, abrindo uma exceção histórica para a novela das nove. A medida, que reflete a influência e o sucesso da trama, foi autorizada para atender a uma exigência dos autores Walcyr Carrasco e Claudia Souto.

Ao contrário do modelo industrial que a Globo tem adotado nos últimos anos, que exige um grande número de capítulos prontos antes da exibição, ‘Quem Ama Cuida’ está sendo produzida em um ritmo acelerado, quase no limite físico. Atualmente, os roteiristas trabalham na escrita de capítulos pouco acima do de número 80, enquanto o capítulo 50 já está no ar. Essa proximidade entre a escrita e a exibição é um indicativo claro da flexibilização imposta pelo sucesso da obra.

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A rigidez do modelo industrial da Globo

Nos últimos anos, a TV Globo consolidou um sistema de produção de novelas que prioriza a antecedência e a segurança. Esse protocolo, conhecido por exigir frentes de capítulos gigantescas e totalmente finalizadas, visa garantir a qualidade, otimizar recursos e evitar imprevistos que possam comprometer a grade de programação. A ideia é ter um “estoque” de episódios prontos para lidar com edições de última hora, problemas técnicos ou até mesmo a necessidade de reescrever cenas sem atrasar a exibição.

Para ilustrar a dimensão dessa exceção, basta comparar com outras produções recentes. O remake de ‘Vale Tudo’, por exemplo, que tem estreia prevista para 2025, iniciou suas gravações com impressionantes 90 episódios completamente escritos e finalizados. Esse padrão reflete uma estratégia de gestão de risco e de planejamento que se tornou a norma na emissora, garantindo uma operação mais fluida e previsível para suas produções de alto custo e complexidade.

O retorno da “obra aberta”

A decisão de produzir ‘Quem Ama Cuida’ com uma frente de capítulos mais curta remete ao conceito de “obra aberta”, um formato que foi muito comum na teledramaturgia brasileira, especialmente nas décadas de 1970 e 1980. Nesse modelo, os autores tinham a liberdade de ajustar a trama e os personagens de acordo com a repercussão do público e os índices de audiência. Essa interação quase em tempo real permitia que a novela se adaptasse aos anseios dos telespectadores, gerando um engajamento orgânico e uma sensação de participação.

Grandes nomes da teledramaturgia, como Janete Clair e Dias Gomes, eram mestres nesse formato, que transformava cada capítulo em um termômetro para os próximos passos da narrativa. A flexibilização para Walcyr Carrasco e Claudia Souto sugere um resgate dessa dinâmica, permitindo que a dupla de autores reaja rapidamente à recepção do público, intensificando tramas que agradam e ajustando aquelas que não performam tão bem. Isso pode resultar em uma novela mais vibrante e conectada com a audiência.

A influência de Walcyr Carrasco e Claudia Souto

A exceção aberta pela Globo não é apenas um reconhecimento do sucesso de ‘Quem Ama Cuida’, mas também da trajetória e do peso de seus autores. Walcyr Carrasco é um dos dramaturgos mais bem-sucedidos da televisão brasileira, com um histórico de novelas que frequentemente alcançam altos índices de audiência e geram grande repercussão. Sua capacidade de criar tramas populares e cativantes, aliada à sua experiência, confere-lhe um poder de negociação considerável dentro da emissora.

Ao lado de Claudia Souto, que também possui um currículo respeitável na área, Carrasco forma uma dupla que tem demonstrado uma sintonia rara com o público. A confiança depositada neles pela Globo, ao permitir essa quebra de protocolo, sublinha a crença da emissora no potencial da equipe para manter o sucesso da novela, mesmo sob a pressão de prazos mais apertados. É uma aposta na criatividade e na experiência dos autores como fatores decisivos para o êxito contínuo da produção.

Impactos e desdobramentos na dramaturgia

A flexibilização do protocolo de produção para ‘Quem Ama Cuida’ pode ter desdobramentos significativos para o futuro da teledramaturgia da Globo. Embora seja uma exceção, o sucesso da novela nesse formato pode abrir precedentes e levar a uma reavaliação das políticas de produção da emissora. Se a “obra aberta” provar ser um modelo eficaz para manter o engajamento e a audiência em um cenário de consumo de conteúdo cada vez mais fragmentado, outras produções podem vir a adotar abordagens semelhantes.

Essa mudança estratégica demonstra a capacidade da Globo de se adaptar e inovar, mesmo em face de tradições estabelecidas. É um sinal de que a emissora está atenta às dinâmicas do mercado e à importância de manter a relevância de suas novelas em um ambiente competitivo. Para o público, significa a possibilidade de assistir a tramas mais dinâmicas e responsivas, que se moldam em tempo real, aumentando a expectativa e a interação com o conteúdo. Para mais detalhes sobre a história da teledramaturgia brasileira, visite Memória Globo.

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