SBT apaga legado de Jô e Gugu no streaming às vésperas de completar 45 anos

O paradoxo da memória televisiva no SBT

À medida que o próximo dia 19 de agosto se aproxima, marcando os 45 anos de fundação do SBT, a emissora prepara uma série de celebrações. Entre as iniciativas, destaca-se a faixa Sessão +SBT, que promete resgatar momentos emblemáticos da trajetória do canal criado por Silvio Santos (1930-2024). Contudo, a estratégia de marketing cria uma expectativa que a realidade do streaming da casa, o +SBT, não consegue sustentar. O que deveria ser um baú de tesouros digitais tem se tornado, na prática, um catálogo cada vez mais enxuto.

Retirada de conteúdos e esvaziamento do catálogo

Nos últimos meses, a plataforma de streaming da emissora passou por um processo de curadoria que, para muitos espectadores, soou como um retrocesso. Títulos que compunham a memória afetiva de gerações foram removidos sem aviso prévio. Entre as baixas mais sentidas estão o humorístico Veja o Gordo (1988-1990), protagonizado por Jô Soares (1938-2022), e edições históricas do Domingo Legal, na fase em que era conduzido por Gugu Liberato (1959-2019).

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O esvaziamento não parou por aí. O canal fast +SBT Raiz, que servia como um ponto de encontro para os fãs da programação clássica, teve suas atividades encerradas. Com isso, o público perdeu o acesso fácil a produções que marcaram a história da TV brasileira, como o Show Maravilha, Casa da Angélica e o Programa Sérgio Mallandro. O resgate de novelas próprias também estagnou; desde outubro do ano passado, quando a plataforma disponibilizou Os Ossos do Barão (1997), nenhum novo título do gênero foi adicionado ao acervo.

Desafios financeiros e o modelo de negócio

A explicação para essa escassez reside, em grande parte, na complexidade econômica da operação. O +SBT adota um modelo gratuito, sustentado exclusivamente por anunciantes. Sem a receita proveniente de assinaturas, a emissora enfrenta dificuldades para arcar com os elevados custos de direitos autorais e de imagem necessários para manter um catálogo histórico robusto disponível permanentemente.

Enquanto a diretoria não revisa o modelo de negócio para viabilizar a manutenção desse conteúdo, o telespectador fica em um cenário contraditório. Na TV aberta, o canal aposta na nostalgia para reconquistar a audiência, exibindo formatos como o Viva a Noite e o Show do Milhão. No entanto, a ferramenta digital, que deveria ser o destino natural para quem deseja maratonar essas produções, permanece com o acesso restrito, deixando uma lacuna significativa na preservação da memória da televisão brasileira.

O Giro da Fofoca segue atento aos próximos passos da emissora e aos desdobramentos sobre a preservação do acervo televisivo. Continue acompanhando nosso portal para se manter informado sobre as novidades do entretenimento, bastidores da TV e as análises mais completas sobre o cenário midiático nacional.

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